Orpheu Nº2

Orpheu Nº2
Revista Trimestral de Literatura

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>_ELEGIA_

Minha presença de setim,
Toda bordada a côr de rosa,
Que fôste sempre um adeus em mim
Por uma tarde silenciosa...

Ó dedos longos que toquei,
Mas se os toquei, desapareceram...
Ó minhas bôcas que esperei,
E nunca mais se me estenderam...

Meus Boulevards d'Europa e beijos
Onde fui só um espectador...
--Que sôno lasso, o meu amor;
--Que poeira d'ouro, os meus desejos...

Ha mãos pendidas de amuradas
No meu anseio a divagar...
Em mim findou todo o luar
Da lua dum conto de fadas...

Eu fui alguem que se enganou
E achou mais belo ter errado...
Mantenho o trôno mascarado
Aonde me sagrei Pierrot.

Minhas tristezas de cristal,
Meus débeis arrependimentos
São hoje os velhos paramentos
Duma pesada Catedral.

Pobres enleios de carmim
Que reservara pra algum dia...
A sombra loira, fugidia,

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